“O trabalho socorrista é muito mais vasto do que pensam e sabem os encarnados; e como não há anarquia nem promiscuidade no mundo espiritual, o mecanismo socorrista revela o desdobramento das chefias e subchefias; e Bezerra de Menezes é um grande chefe, e sob sua chefia movimentam legiões de pretos velhos, índios, hindus e caboclos, comandados pelos seus respectivos imediatos.”
“Onde quer que haja um bom trabalho mediúnico, realizado por gente que conheça e muita disciplina reinante, os videntes podem ver e relatar como se distribui o trabalho dos espíritos socorristas.”
Os últimos tempos de Bezerra de Menezes, no plano carnal, foram marcados em nossos reinos, como de preparação arregimentadora, com vistas aos tempos porvindouros, principalmente dos meados do século vinte e um ao ano seis mil; porque o segundo ciclo do Cristianismo será esse, com essa longura de anos. Tudo quanto o Espiritismo fizer, por ora, será apenas semeadura, considerando-se aquilo que terá de fazer, nos futuros ciclos, em caráter de colheitas espirituais.
Como missionário vindo de plano bastante superior, Bezerra de Menezes não se entregou a outro gênero de obras que não fosse zelar pela saúde e evangelizar os irmãos. Não evangelizar pelo prisma dos clericalismos, que corresponde a tirar do Divino Exemplo do Cristo, para transformar em comprador de simulacros; ele o fazia pelo prisma do Consolador reposto no lugar, da volta ao sistema de culto dos Apóstolos, que era em termos de Moral, Amor, Revelação, Sabedoria e Virtude, como bem podeis compreender no Livro dos Atos, escrito por ele mesmo quando fora Lucas, e nas Cartas dos Apóstolos, onde a Revelação era o marco central das movimentações em geral.
A encarnação é a válvula redentora e evolutiva das almas; quando deve culpas, ela facilita repará-las, e quando deve-se evolução, ela oferece os meios. Cuidar da saúde, quando não haja questão cármica depondo em contrário, é um dever; e uma vez tendo saúde, que se transforme em oportunidades de nobres realizações.
Bezerra passou a vida curando os corpos, como podia, e ensinando a procurar a suprema cura, seguindo os Divinos Exemplos de Jesus Cristo. E no mundo espiritual, seus companheiros de trabalho empreenderam a organização de núcleos socorristas e educacionais. Seu nome devia ficar ligado a um imenso movimento socorrista, sendo que os socorros teriam de levar, conjuntamente, as lições da Moral, do Amor, da Verdade e da Virtude, porque os ciclos futuros teriam que fazer incidir sobre esses quatro pontos cardeais, o edifício realmente religioso, o trabalho social dos filhos de Deus lotados na Terra.
Teria que ser, diziam, quando ele ainda estava encarnado; agora, poucas dezenas de anos após a sua passagem, Bezerra de Menezes já funciona como vastíssimo órgão assistencial, tendo a servir essa máquina socorrista, dezenas de milhares de médicos e de outros servidores. Muito complexa é a máquina, se levarmos em conta os mais diferentes rogos que a atingem, vindos de muitos recantos do Planeta, para atingir os mais diferentes reinos deste lado. Não será fácil, temos certeza, a um encarnado, compreender a vastidão dos serviços que nos cumprem, vindos através do nome de Bezerra de Menezes.
Mas existem postos centrais de recolhimento de mensagens; e estes postos as distribuem, conforme as necessidades, de acordo com o trabalho a ser feito. Do serviço puramente médico aos socorros de variada ordem, tudo é feito com rigorosa disciplina e encantadora harmonia. Médicos, enfermeiros, guardas, legiões de africanos, de pretos velhos, de hindus, de caboclos; tudo por ordem, cada facção cumprindo a sua parte, pois na Ordem Divina tudo é hierarquia, competência e disposição de trabalho. Conforme a necessidade e o merecimento do encarnado que pede, assim a distribuição do serviço é feita. A máquina assistencial é vasta e o seu movimento é disciplinado. Cada servidor, maior ou menor, cumpre o seu dever e faz jus à recompensa. Quem poderia ser o juiz de Deus, para depor em contrário?!
Quando Bezerra de Menezes atravessou de uma vez os umbrais da carne, jamais poderia compreender o que havia feito e como o seu nome iria representar, futuramente, o instrumento de invocação do maior organismo assistencial de nossos reinos. E podemos afirmar que o movimento cresce, que novos postos são montados, porque o Batismo do Espírito trazido pelo Cristo, reposto no lugar com o nome de Espiritismo, invade a humanidade!
Com dois mil anos de atraso, por culpa de Roma, mas o certo é que se cumpre o que Jesus afirma, no primeiro capítulo do Livro dos Atos; e nestas plagas da Terra, o nome de Bezerra de Menezes concentra a maior quantia de chamamentos à Graça da Revelação generalizada por Jesus Cristo.
Depois do desencarne do Apóstolo do Bem, os serviços subiram tremendamente de monta; e subiram também os merecimentos.
Com os merecimentos, tudo acontece. Portanto, fomos convidados a visitar, em reinos superiores, muitos departamentos ligados ao nome e aos serviços que giram em torno dele. Desde a Chefia Central de Bezerra, contando com elementos de muita elevação espiritual, até o mais humilde servidor, o último preto velho ou índio, tudo é por ordem, tudo vem de chefias muito bem organizadas. Há muito que fazer e há muita prestação de contas, para efeito de contagem de merecimentos.
Os religiosismos fazem questão de estatutos e de instituições humanas; querem que Deus seja deles, segundo os seus respectivos exclusivismos; entretanto quem é que, sendo inteligente, pretenderá que Deus seja analisável pelo homem? Ou que o homem, por si mesmo possa discernir o que seja, em essência? Ou quererá dizer que a Verdade e a Virtude deixarão de se impor pela Vontade de Deus, para ficarem à mercê das relativas concepções do homem?
Eis, pois, que concitamos à máxima liberdade para efeito de estudos; que nunca dogmas e ortodoxismos vençam contra o livre exame; e que, muito menos ainda, as ignorâncias a encobrir e os interesses subalternos a defender, criem condições de dificuldade para a prática do Bem.
Não pensem em Deus, a Essência Divina do Infinito, segundo estatutos e instituições humanas; porque Deus é Absoluto e essas coisas são relativas. Encarem o relativo pelo prisma do Absoluto, para que todos os conceitos sejam reverentes ao Pai Divino.
Não pensem na existência da chamada Criação, material e espiritual, considerando que os homens saibam tudo a respeito; porque nas mais altas esferas da vida, filhos de Deus divinamente evoluídos se inclinam diante da infinidade da questão.
Não pretendam limitar o movimento de tudo quanto Deus manifesta, porque ainda não sabeis, sequer, o que contém o nosso pobre mundinho.
Não pretendam afirmar tudo sobre a evolução, porque realmente quase nada conhecem sobre a matéria, nem a seu mesmo respeito.
Devem afirmar a imortalidade essencial de tudo, porque em Deus tudo é Vida Eterna; em nada existe a morte real!
Devem considerar totalmente a responsabilidade, porque em menor ou em maior dose, ela já os atingiu, pelo pouco ou muito que já conhecem.
Reverenciem a lei das reencarnações, diremos em todos os reinos, porque ela é válvula redentora e evolutiva dos espíritos.
Cultivem a Revelação com inteligência e amor, porque o Serviço de Mensageiria Divina, ou Ministério do Espírito Santo, é desígnio de Deus; além do mais, generalizar a Revelação foi a função missionária de Jesus Cristo. Jesus pagou com a crucificação o direito de ser o Derramador do Espírito sobre a Carne!
Considerem, com inteiro respeito e perfeita liberdade, que são por Graça de Deus, verdadeiros centros do Infinito; reverenciem ao Pai Divino, de lhes ofertar o Cosmo, a Casa Infinita, tudo quanto está ao seu redor.
Tenham sempre em mente a Sagrada Finalidade, o Grau Crístico; acima de religiosismos ou sectarismos quaisquer, coloquem a Moral e o Amor, a Verdade e a Virtude, porque assim o fez Jesus Cristo, o nosso Divino Modelo.
Não esqueçais que nos abismos da subcrosta vivem gritando, clamando “Senhor! Senhor!” milhares de milhares de criaturas que tiveram religiões e muito andaram lendo os chamados livros sagrados; observai que a Lei de Deus, sendo tão curta, é o mais longo documento existente, tanto assim que o Cristo afirmou, de início, que veio para vivê-lo e não para derrogá-lo. Perguntai sempre, a vós próprios, qual é a religião que a Lei manda obedecer.
E não espereis o Cristo em carne e osso, porque Ele está atrás de Suas Legiões Mensageiras para, através delas, advertir, ilustrar e consolar; e em verdade vos afirmamos, de Ordem Superior, que todos os olhos O verão, através do Espaço e do Tempo, por causa dos poderes mediúnicos e segundo os merecimentos que forem sendo alcançados.
Entretanto, repetimos, religiões e sectarismos nada vos poderão dar de realmente bom; somente a Verdade e a Virtude garantem a Libertação, sendo praticadas e não apenas faladas.
E para todos os efeitos, Deus é o Pai Divino e Jesus Cristo é o Divino Mestre; a Ordem está na Lei e o Exemplo está no Cristo!
segunda-feira, 19 de maio de 2008
CAPÍTULO 19 - MARCHAI PARA O GRAU CRÍSTICO
“O Cristo Interno deve ser elaborado segundo a Divina Configuração do Cristo Externo; para isso é que o Pai Divino, em tempos apropriados, envia Cristos ou Divinos Modelos às humanidades em evolução.”
Uma das realidades simples que transbordam em nossos serviços é o fato de haver quem saia do corpo físico doente, vindo parar nestes reinos doente, necessitando enfrentar o mesmo tratamento, ou tratamento segundo as suas desarmonias físicas. Já não dizemos as psíquicas, porque afora os erros registrados na intimidade, ocorre que a perfeição só é total no Grau Crístico, ao superar a lei das reencarnações obrigatórias.
Antes de atingir a Suprema Libertação, ao ter que reencarnar, em um mundo como a Terra, atrasado em todos os sentidos da Ordem Moral, pode muito bem cair em faltas, tendo que responder por elas. Por conseguinte, os tratamentos de que falamos é o físico, o do nosso físico, que comporta todos os complexos do vosso, em virtude da lei de Causa e Efeito.
Porque ser um espírito inferior em evolução já é ter um corpo astral denso, é arrastar um carro pesado, é brilhar menos; e se, por cima, estiverem faltas acumuladas, erros gravados, então podeis avaliar como os nossos hospitais devem tratar de muitos corpos astrais atacados de muitos desequilíbrios.
E como os céus concêntricos e superpostos variam muito de grau hierárquico, podeis avaliar, também, quantos poderão ser os processos de tratamento, segundo os males das entidades e, acima de tudo, da normal hierarquia de cada um. Como é que se irá tratar numa faixa ou céu superior, uma nonada superior, do indivíduo que é inferior, que poderia na superior encontrar ainda mais dificuldades?
Vede, portanto, que os nossos reinos oferecem de tudo, segundo o grau evolutivo de cada um e segundo os males de que possa estar sofrendo; na Casa do Pai as moradas são muitas, em forma de galáxias, sistemas planetários, planetas e seus céus ou faixas astrais. E ainda resta a Casa Crística, o Céu Crístico, a Esfera Universal, que não pertence a Planeta algum, porque é acima de mundos, formas e transições. Lá está a Libertação Total, a Ressurreição Final do Espírito!
Antes de chegar lá, como deveis saber, cumpre tratar dos filhos de Deus, de nós mesmos, segundo a hierarquia e o mal que arraste consigo, na faixa ou céu a que faça jus. E não temos, por aqui, a mania de achar que a existência, a evolução, a respiração, os merecimentos, as responsabilidades, sejam fatos que possamos resolver fazendo cálculos algébricos ou inventando teorias complicadas e superficiais, muitas vezes traiçoeiras em alta conta. As coisas, por aqui, devem é ser encaradas com simplicidade e objetividade, deixando de lado tratados de sistemas estes ou aqueles, com que, na crosta, os formalistas pseudo-sábios engodam os incautos.
O Amor, a máxima conquista evolutiva, filho da Virtude realizada no imo, não é apanágio de ricos ou pobres, sábios ou ignorantes, nacionais ou estrangeiros, pretos ou brancos... E muito menos ainda de religiosismos estes ou aqueles!
Se, pois, não podemos fabricar Amor para aplicá-lo via oral ou por injeção, está dito que o nosso tratamento parte, sempre, da educação mental. Sem Lei não há Evangelho, e sem Evangelho não há cura!
E dia virá, em que os encarnados terão que pensar e fazer assim, porque tudo tende à simplicidade na Ordem Divina. Custará ainda muito, mas a Finalidade Sagrada impõe que assim venha a acontecer. A falsa ciência dará lugar à Ciência do Amor, em que tudo se resumirá, finalmente, em um irmão querer fazer o máximo bem ao seu irmão, que é de onde surge o ideal cristão, a consciência da vitória final do espírito, a antevisão do Grau Crístico!
Todos somos esperados, no Céu Crístico, por aqueles que já atingiram o píncaro evolutivo. Eles nunca foram filhos do favor de Deus, porque em Deus nunca houve favor. Uma é a Lei de Harmonia, e todos terão que com ela acertar contas durante a escalada evolutiva. E chegar ao Grau Crístico, fora da Lei de Harmonia, por um favor de Deus, seria coisa de se pensar?
Conseguintemente, meditemos nos céus inferiores, nas faixas do submundo e nas bem pouco iluminadas; pensemos, enfim, nos céus que se sucedem, reconhecendo em tudo isso a Sabedoria Divina. Porque a evolução é lenta, e cada um terá, nos reinos espirituais, o lugar que por suas obras tenha merecido.
E como a realidade é sempre decorrente de alguma lei, não custa nada compreender que ela é letra evangélica e muito rigorosa!
Foi assim discursando, num ambiente reconhecidamente preparado, que um servidor de plano um bocado superior transmitiu a ordem de construção de uma casa de oração com o fito de cura. Ali tudo seria feito, informou, com o fim de fazer compreender, a cada um dos presentes, que a cura real vem de dentro e deve ser a procurada fielmente; lições sobre a Moral e o Amor, a Verdade e a Virtude, disse ele, devem preceder a todos os pedidos, a todos os movimentos de ordem mental.
E foi construindo um prédio, com o emprego da força mental de algumas dezenas de irmãos competentes; eles desenharam tudo, encararam com acuidade a todos os mínimos detalhes e, quando tudo era questão de ação, agiram. Depois houve música e alegria, com a presença de muitos irmãos bastante superiores, tendo no final, com a bênção rogada a Jesus Cristo, vindo das alturas um Alto Emissário, que sobre o prédio deixou cair uma folha como que de papel, onde estava escrito:
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus, porque sempre representou Deus. Todas as coisas foram feitas por ele; e do que há feito, tudo por ele foi feito.”
Depois de tudo terminado, o governador da região entregou o escrito a um grupo de artistas do nosso reino, ordenando que fizessem uma laje, do material mais apropriado que julgassem, para ficar no centro da parede posterior do prédio, por dentro, ou onde costumam colocar o altar dos idólatras.
No dia da inauguração, disse o governador aquelas palavras de Jesus Cristo, sobre ser Deus, Espírito e Verdade, assim desejando que Seus filhos venham a ser; e concluiu, portanto, que aquela inscrição era tudo quanto podia haver de mais certo, porque resumia o Poder de Deus através do Cristo Planetário. O Senhor e o Seu Delegado Planetário.
E como o vasto salão estava repleto de enfermos de variada ordem, foi feita uma preleção pelo mesmo governador, sobre o sentido Moral da vida, porque ele achava, depois de tanto ler e meditar, que esse é o sentido que abrange todos os demais, que dizem respeito aos filhos de Deus. Disse que a parte de Deus é Eterna, Perfeita e Imutável, cumprindo a cada filho realizar a sua parte, sendo que o sentido Moral da vida é o resumo de tudo, porque fora dele nada há de realmente enobrecedor.
Assinalou que todos os cidadãos da região eram livres para ocupar a tribuna e falar, achando ele, também, que essa disposição vinha ao encontro da máxima dignidade de cada um, porque a oração não é privilégio de ninguém, sendo um direito igual garantido pelo Pai Divino a todos os Seus filhos. Ficava dito, portanto, que nunca um mesmo orador ou presidente da reunião exerceria duas vezes em seguida a mesma função; a oração final era para desejar curas, e seria feita em silêncio absoluto, para facilitar a melhor mentalização por parte de todos. Alguém comandaria, e esse alguém seria qualquer dos filhos de Deus da região.
Ato contínuo, chamou ele o diretor dos hospitais da região, passando-lhe a direção da reunião, para que mandasse fazer a oração quem julgasse conveniente. E o diretor chamou um doente, alguém que estava em tratamento, dizendo-lhe:
— Graças ao Nosso Senhor Jesus Cristo, que representa o chamado Criador neste Planeta, na parte sólida como na astral, sendo também o Mestre dos mestres, eu te peço para fazer a oração, desejando curas e bens para todos nós.
O doente, que havia sido na vida carnal um escritor de bons recursos, porém descrente de Deus e de tudo que diz respeito à sobrevivência e responsabilidade do homem, fez ali uma confissão de culpas que a todos fez derramar lágrimas. E quando orou, um Pai Nosso à sua moda, ninguém o acompanhou sem ser de ouvido, em virtude de ser inventado na hora. Depois, entrando todos em silêncio, ou orando realmente, as coisas mudaram, porque o prédio pareceu sumir, ficando tudo imensamente brilhante, quase impossível de ser bem visto. E no final, lá em cima do cone de luz, vimos muitos espíritos gloriosos, estando entre eles o Mestre dos mestres, com as mãos estendidas, fazendo jorrar muita luz sobre toda a região. O importante, realmente, é que a oração dos presentes estava beneficiando a todos os habitantes da região, os presentes e os ausentes, os que puderam comparecer e os que não puderam, por causa de serviços e outros motivos quaisquer.
Quando tudo havia retornado ao natural, o diretor dos hospitais encerrou a reunião, dizendo que jamais esperaria por tamanha colheita. As graças do Senhor vieram, disse ele, de modo a fazer compreender que a Presença do Cristo é real e não apenas mística, para aqueles que O buscarem de coração. E não é assim que o Cordeiro de Deus prometeu, no primeiro capítulo do Livro dos Atos? E por que os nossos reinos seriam menos do que a crosta terrícola? Estas ovelhas não são, também, do Seu Aprisco? Ou pretenderão, os encarnados, que a Obra Divina é apenas aquilo que eles pensam que seja? Ou julgarão a Jesus como enganador e mentiroso?
Uma das realidades simples que transbordam em nossos serviços é o fato de haver quem saia do corpo físico doente, vindo parar nestes reinos doente, necessitando enfrentar o mesmo tratamento, ou tratamento segundo as suas desarmonias físicas. Já não dizemos as psíquicas, porque afora os erros registrados na intimidade, ocorre que a perfeição só é total no Grau Crístico, ao superar a lei das reencarnações obrigatórias.
Antes de atingir a Suprema Libertação, ao ter que reencarnar, em um mundo como a Terra, atrasado em todos os sentidos da Ordem Moral, pode muito bem cair em faltas, tendo que responder por elas. Por conseguinte, os tratamentos de que falamos é o físico, o do nosso físico, que comporta todos os complexos do vosso, em virtude da lei de Causa e Efeito.
Porque ser um espírito inferior em evolução já é ter um corpo astral denso, é arrastar um carro pesado, é brilhar menos; e se, por cima, estiverem faltas acumuladas, erros gravados, então podeis avaliar como os nossos hospitais devem tratar de muitos corpos astrais atacados de muitos desequilíbrios.
E como os céus concêntricos e superpostos variam muito de grau hierárquico, podeis avaliar, também, quantos poderão ser os processos de tratamento, segundo os males das entidades e, acima de tudo, da normal hierarquia de cada um. Como é que se irá tratar numa faixa ou céu superior, uma nonada superior, do indivíduo que é inferior, que poderia na superior encontrar ainda mais dificuldades?
Vede, portanto, que os nossos reinos oferecem de tudo, segundo o grau evolutivo de cada um e segundo os males de que possa estar sofrendo; na Casa do Pai as moradas são muitas, em forma de galáxias, sistemas planetários, planetas e seus céus ou faixas astrais. E ainda resta a Casa Crística, o Céu Crístico, a Esfera Universal, que não pertence a Planeta algum, porque é acima de mundos, formas e transições. Lá está a Libertação Total, a Ressurreição Final do Espírito!
Antes de chegar lá, como deveis saber, cumpre tratar dos filhos de Deus, de nós mesmos, segundo a hierarquia e o mal que arraste consigo, na faixa ou céu a que faça jus. E não temos, por aqui, a mania de achar que a existência, a evolução, a respiração, os merecimentos, as responsabilidades, sejam fatos que possamos resolver fazendo cálculos algébricos ou inventando teorias complicadas e superficiais, muitas vezes traiçoeiras em alta conta. As coisas, por aqui, devem é ser encaradas com simplicidade e objetividade, deixando de lado tratados de sistemas estes ou aqueles, com que, na crosta, os formalistas pseudo-sábios engodam os incautos.
O Amor, a máxima conquista evolutiva, filho da Virtude realizada no imo, não é apanágio de ricos ou pobres, sábios ou ignorantes, nacionais ou estrangeiros, pretos ou brancos... E muito menos ainda de religiosismos estes ou aqueles!
Se, pois, não podemos fabricar Amor para aplicá-lo via oral ou por injeção, está dito que o nosso tratamento parte, sempre, da educação mental. Sem Lei não há Evangelho, e sem Evangelho não há cura!
E dia virá, em que os encarnados terão que pensar e fazer assim, porque tudo tende à simplicidade na Ordem Divina. Custará ainda muito, mas a Finalidade Sagrada impõe que assim venha a acontecer. A falsa ciência dará lugar à Ciência do Amor, em que tudo se resumirá, finalmente, em um irmão querer fazer o máximo bem ao seu irmão, que é de onde surge o ideal cristão, a consciência da vitória final do espírito, a antevisão do Grau Crístico!
Todos somos esperados, no Céu Crístico, por aqueles que já atingiram o píncaro evolutivo. Eles nunca foram filhos do favor de Deus, porque em Deus nunca houve favor. Uma é a Lei de Harmonia, e todos terão que com ela acertar contas durante a escalada evolutiva. E chegar ao Grau Crístico, fora da Lei de Harmonia, por um favor de Deus, seria coisa de se pensar?
Conseguintemente, meditemos nos céus inferiores, nas faixas do submundo e nas bem pouco iluminadas; pensemos, enfim, nos céus que se sucedem, reconhecendo em tudo isso a Sabedoria Divina. Porque a evolução é lenta, e cada um terá, nos reinos espirituais, o lugar que por suas obras tenha merecido.
E como a realidade é sempre decorrente de alguma lei, não custa nada compreender que ela é letra evangélica e muito rigorosa!
Foi assim discursando, num ambiente reconhecidamente preparado, que um servidor de plano um bocado superior transmitiu a ordem de construção de uma casa de oração com o fito de cura. Ali tudo seria feito, informou, com o fim de fazer compreender, a cada um dos presentes, que a cura real vem de dentro e deve ser a procurada fielmente; lições sobre a Moral e o Amor, a Verdade e a Virtude, disse ele, devem preceder a todos os pedidos, a todos os movimentos de ordem mental.
E foi construindo um prédio, com o emprego da força mental de algumas dezenas de irmãos competentes; eles desenharam tudo, encararam com acuidade a todos os mínimos detalhes e, quando tudo era questão de ação, agiram. Depois houve música e alegria, com a presença de muitos irmãos bastante superiores, tendo no final, com a bênção rogada a Jesus Cristo, vindo das alturas um Alto Emissário, que sobre o prédio deixou cair uma folha como que de papel, onde estava escrito:
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus, porque sempre representou Deus. Todas as coisas foram feitas por ele; e do que há feito, tudo por ele foi feito.”
Depois de tudo terminado, o governador da região entregou o escrito a um grupo de artistas do nosso reino, ordenando que fizessem uma laje, do material mais apropriado que julgassem, para ficar no centro da parede posterior do prédio, por dentro, ou onde costumam colocar o altar dos idólatras.
No dia da inauguração, disse o governador aquelas palavras de Jesus Cristo, sobre ser Deus, Espírito e Verdade, assim desejando que Seus filhos venham a ser; e concluiu, portanto, que aquela inscrição era tudo quanto podia haver de mais certo, porque resumia o Poder de Deus através do Cristo Planetário. O Senhor e o Seu Delegado Planetário.
E como o vasto salão estava repleto de enfermos de variada ordem, foi feita uma preleção pelo mesmo governador, sobre o sentido Moral da vida, porque ele achava, depois de tanto ler e meditar, que esse é o sentido que abrange todos os demais, que dizem respeito aos filhos de Deus. Disse que a parte de Deus é Eterna, Perfeita e Imutável, cumprindo a cada filho realizar a sua parte, sendo que o sentido Moral da vida é o resumo de tudo, porque fora dele nada há de realmente enobrecedor.
Assinalou que todos os cidadãos da região eram livres para ocupar a tribuna e falar, achando ele, também, que essa disposição vinha ao encontro da máxima dignidade de cada um, porque a oração não é privilégio de ninguém, sendo um direito igual garantido pelo Pai Divino a todos os Seus filhos. Ficava dito, portanto, que nunca um mesmo orador ou presidente da reunião exerceria duas vezes em seguida a mesma função; a oração final era para desejar curas, e seria feita em silêncio absoluto, para facilitar a melhor mentalização por parte de todos. Alguém comandaria, e esse alguém seria qualquer dos filhos de Deus da região.
Ato contínuo, chamou ele o diretor dos hospitais da região, passando-lhe a direção da reunião, para que mandasse fazer a oração quem julgasse conveniente. E o diretor chamou um doente, alguém que estava em tratamento, dizendo-lhe:
— Graças ao Nosso Senhor Jesus Cristo, que representa o chamado Criador neste Planeta, na parte sólida como na astral, sendo também o Mestre dos mestres, eu te peço para fazer a oração, desejando curas e bens para todos nós.
O doente, que havia sido na vida carnal um escritor de bons recursos, porém descrente de Deus e de tudo que diz respeito à sobrevivência e responsabilidade do homem, fez ali uma confissão de culpas que a todos fez derramar lágrimas. E quando orou, um Pai Nosso à sua moda, ninguém o acompanhou sem ser de ouvido, em virtude de ser inventado na hora. Depois, entrando todos em silêncio, ou orando realmente, as coisas mudaram, porque o prédio pareceu sumir, ficando tudo imensamente brilhante, quase impossível de ser bem visto. E no final, lá em cima do cone de luz, vimos muitos espíritos gloriosos, estando entre eles o Mestre dos mestres, com as mãos estendidas, fazendo jorrar muita luz sobre toda a região. O importante, realmente, é que a oração dos presentes estava beneficiando a todos os habitantes da região, os presentes e os ausentes, os que puderam comparecer e os que não puderam, por causa de serviços e outros motivos quaisquer.
Quando tudo havia retornado ao natural, o diretor dos hospitais encerrou a reunião, dizendo que jamais esperaria por tamanha colheita. As graças do Senhor vieram, disse ele, de modo a fazer compreender que a Presença do Cristo é real e não apenas mística, para aqueles que O buscarem de coração. E não é assim que o Cordeiro de Deus prometeu, no primeiro capítulo do Livro dos Atos? E por que os nossos reinos seriam menos do que a crosta terrícola? Estas ovelhas não são, também, do Seu Aprisco? Ou pretenderão, os encarnados, que a Obra Divina é apenas aquilo que eles pensam que seja? Ou julgarão a Jesus como enganador e mentiroso?
CAPÍTULO 18 - O CRISTO É PERMANENTE
“Cristo é Grau, não é nome, e, portanto, um espírito cristificado o representa diante de uma humanidade em evolução. Sendo Grau de Unidade com o Pai, é naturalmente VERBO DIVINO, ou representante de Deus.”
“Se os mistifórios clérico-políticos não tivessem alterado as lições do Cristo, todos já teriam conhecimento delas, e do que o Cristo é, e representa, ou a síntese das verdades fundamentais.”
Um Cristo será sempre rigoroso e causticante em suas palavras, mas os Seus exemplos serão sempre amorosos e cheios de renúncia. Aqueles, porém, que se tornam adeptos do anticristo, em suas palavras querem parecer bons, tolerantes e vítimas de certo modo, mas as suas obras revelam covardia, falsidade e traição, sendo comum apelarem para atos violentos ou repugnantes.
Todos os movimentos renovadores, principalmente os de ordem Moral, sempre viram surgir, em seus meios e no meio de seus elementos, essa coisa feia, essa mancha. Uns por excesso de zelo, outros por excesso de vaidade, mas o fato é que nenhum movimento, até o presente, deixou de ter contas a ajustar com esse doloroso fato.
Alguns apelam para os anos passados em estudos ditos doutrinários, sejam estes ou aqueles os sectarismos; outros querem valorizar os seus cabelos brancos; ainda outros pretendem dar boa representação ao reumatismo que ostentam, achando que ele é testemunho de sabedoria; e não faltam os portadores de outras marcas de perebas, que com elas fazem questão de marcar ponto no relógio dos estatutos e das instituições.
Caifás, Anás, o Sinédrio, os fariseus, os saduceus e os escribas, todos falaram de cadeira, todos tinham uma tradição, não permitindo que Jesus Cristo pudesse falar em nome da Moral, do Amor, da Revelação, da Sabedoria e da Virtude. É que Jesus era jovem, não tinha rugas, reumatismos, calvície, perebas e outros argumentos da mesma marca. Em conseqüência, o ranço e a ferrugem puderam mais do que a Verdade e a Virtude!
Considerando que isto poderá acontecer e muito, ainda, no Planeta, bom será que se evitem ortodoxias, dogmatismos, fanatismos sectários, etc.
O essencial, para não cairmos em tais faltas, seria não termos jamais ignorâncias a encobrir nem interesses subalternos a defender; mas, quando iremos planar nessas alturas?
Observemos, portanto, que o maior risco é ou será, sempre, daqueles que se acreditam proprietários da Moral e do Amor, da Verdade e da Virtude. Tudo isso em termos teóricos, porque os praticantes, os vivedores dessas virtudes, jamais cairiam em semelhantes emboscadas, em tais leviandades.
Foi um caso, fica bem saliente, enfrentado por nós, que motivou este capítulo. Sempre, portanto, aprendendo com as grandes lições da vida prática! Sempre focalizando a Lei de Equilíbrio, através dos vincos profundos deixados naqueles que contra ela atuaram, por culpa de seus fanatismos sectários, ou de seus orgulhos feridos, ou dos clamores de seus mais imediatos interesses mundanos.
Estávamos em nosso reino, reunidos em torno de uma irmã; brilhava o sol da Verdade Central, de Deus, que nos ilumina e aquece, sustenta e estimula; e ela, recém-chegada dos abismos, em processo de tratamento, fora colocada ao lado de belo jardim, florido e perfumado. Nosso instrutor falava e ela ouvia, coisas sobre Jesus Cristo, que ele sempre filtrou como Verdade e Virtude. Porque ela vinha de uma vida desregrada, isto é, sem Verdade e sem Virtude.
Estando entre flores e águas, servidores do Bem e conversas edificantes, não há quem não sinta surgir de dentro aquela cura que não pode vir de fora; e como uns aprendem com outros, ali éramos ouvidos abertos, armazenando conhecimentos, quando vimos chegarem, acompanhados do diretor dos hospitais da região, dois vultos maravilhosos, simplesmente estuantes de espiritualidade, que vinham ao nosso encontro.
Eram irmãos de alta hierarquia, habitantes de reinos superiores, diminuídos em si mesmos, cumprindo alguma delegação, isso bem se descobria; e foi como nos falou o diretor dos hospitais da região, apresentando-os:
— Tancredo, venho apresentar estes funcionários da Mensageiria Superior, em virtude de trabalho a ser feito. Alguém deve desencarnar, dentro de dias, e é quando eles deverão estar presentes. O mais tudo, eles mesmos farão, porque são os encarregados da missão que lhes cumpre levar a termo.
Disse os nomes, mas isso não importa porque não saberia como traduzi-los e porque a essência da coisa é que nos faz estar escrevendo. Se não fossem eles, é certo que seriam outros, porque a Lei e a Justiça pairam acima de indivíduos. O que é por Deus, alguém terá que fazer, sem dúvida alguma!
E tudo ficou combinado, quando o mais categorizado deles, explicou:
— Um irmão, de nome Plácido, deverá ser retirado da carne dentro de uma semana. Desejamos que nos avisem, quando chegar a hora; e a hora será, lembrem-se, quando o irmão doutor Bezerra de Menezes for atender como clínico ao chamado de uma nossa irmã, que é a progenitora de Plácido.
Disse como proceder, enviando a ele a mensagem mental, retirando-se após. E nós ficamos meditando e comentando, quem seria o irmão Plácido, para ser assim recebido. Para nós, conforme os usos, devia ser alguém de bastantes merecimentos, pois os dois elevados irmãos agiam também segundo ordens superiores. Portanto, para todos os efeitos, seria muito interessante o trabalho a ser feito; porque o aprendizado vem sempre através dos fatos comuns da vida.
E uma semana depois, entrando por um cortiço adentro o doutor Bezerra, fomos topar com o nosso irmão Plácido; atirado no fundo de um quarto escuro, mais miserável do que pobre, estava um homem de meia idade, todo retorcido, aleijado, tendo ainda a mão esquerda ressecada, mais parecendo um galho seco de árvore.
A pobre mãe, ou riquíssima, talvez, assim implorou:
— Doutor, trate de meu filho!... É assim, porém eu só tenho esse... Sei o que tem feito e peço a sua ajuda....
Bezerra deu tudo, receita e dinheiro, dando também uma fervorosa oração; e o mundo deste lado, que o acompanhava sempre, deu o que devia e podia dar.
Tancredo fez como recomendou o tal Mensageiro Superior, e ele, dentro de segundos, estava presente, dizendo:
— Hoje à noite, terá que deixar o corpo... E vamos, por ora, formar um círculo, dando-nos as mãos. Vamos rogar a Jesus, o Divino Medianeiro, por este irmão altamente comprometido perante a Justiça Divina.
Assim foi feito. Fazer um círculo e dar as mãos, entrando em oração, produz maravilhas. E quando já em oração, disse o Mensageiro Superior:
— Olhem bem para ele e observem o que vai ocorrer.
Nós já tínhamos visto um monstro agarrado ao pobre irmão, tão agarrado que pareciam dois em um; tínhamos visto quatro bondosos pretos velhos, sorridentes e felizes, que lhe montavam guarda, cumprindo ordens superiores. E dali em diante, observando bem, fomos notando que um vapor subia do chão, envolvendo o homem e todos nós. Pouco depois, o vapor deixou de ser denso, tornando-se luminoso, cada vez mais luminoso.
Quando a luminosidade atingiu certo ponto, apareceu uma paisagem, que bem vimos ser a velha Jerusalém. Tudo como naqueles dias, quando Jesus palmilhou aqueles caminhos, para viver a Lei, Batizar em Revelação e testemunhar a Ressurreição Final do Espírito.
Tudo era simples, claro, normal, exato. Jesus estava vestido como os Nazireus, com a Sua túnica branco-opalina e coberto com o manto carmesim. Era jovem, esbelto, imensamente espiritual, ligeiro, pensativo e algo triste. Por todas as partes muita gente a cercá-Lo, pedindo curas, sorte, o Céu, etc.
E do meio do povo saía, repetidas vezes, um sacerdote magricela, barbudinho, encaveirado, de olhos faiscantes, que atirava contra Jesus ofensas, ora como perguntas, ora como afirmativas severas, lembrando os preceitos, etc. E Jesus calava e trabalhava, ou respondia algumas vezes, sempre rodeado pelos Seus discípulos, sempre muito amparado por algumas mulheres contritas, fervorosas e piedosas.
Vimos depois, dentro de vasto e muito ornamentado salão, Jesus sentado sobre um tamborete, estando alguns sacerdotes e outras pessoas, do outro lado, à Sua frente, fazendo perguntas as mais contraditórias. Dentre eles se destacava o sumo sacerdote com um pergaminho na mão direita, que lia e argumentava contra Jesus. Porém, o sacerdote magricela e encaveirado pedia licença e dizia tremendas coisas contra Jesus, chamando-O feiticeiro e discípulo de Belzebu.
E o cenário mudou, num repente, aparecendo o Monte das Caveiras com as três cruzes levantadas.
Também isso logo mais desapareceu, voltando tudo ao quarto miserável, com o sacerdote magricela, agora na personalidade daquele pobre aleijado. E o Mensageiro Superior explicou, em breves palavras:
— Estamos na presença de um dos grandes algozes de Jesus... Porém, não vem diretamente de lá esta situação. Porque outros já se recuperaram, estando em boas condições, servindo a Causa da Verdade e da Virtude, absolutamente à margem dos religiosismos perniciosos. Este pobre irmão, entretanto, tem errado muito, tem recaído em faltas, tendo agora sido obrigado a renascer assim, para ser obrigado a resgatar um pouco de suas imensas culpas.
E voltando-se a Tancredo, recomendou-lhe:
— Assim que for desligado, ao entrar no hospital, desejo ser avisado; é só fazer como fez agora, e depressa virei, para tomar as providências necessárias. Como sei que gostam de aprender, digo que o movimento restaurador grassa no mundo, havendo grandes oportunidades para muitos errados de outros tempos. E este nosso irmão vem de receber de Jesus uma oportunidade de trabalho; porque, como deveis saber, perdão não existe, mas existe o trabalho que ressarce e constrói o Reino de Deus dentro de nós mesmos. Ele voltará à carne em breve, com boas faculdades, com boas ferramentas e, no trabalho mediúnico, servindo aos outros com o devido carinho, estará conseguindo servir a si mesmo.
Pouco depois da saída de Bezerra de Menezes, também nós saímos, ficando tudo bem combinado para a retirada do pobre irmão, logo à noitinha. E como tudo gira em torno de leis e sobre leis, tudo foi encaminhado devidamente. Quanto ao fundo moral da questão, que cuidem bem de si mesmos, antes de mais nada, aqueles que se escravizam a estatutos e a instituições humanas. A Moral e o Amor, a Verdade e a Virtude, não são realidades que possam caber em conchavismos de homens. Títulos dados por homens, reumatismos e perebas não significam espiritualidade!
“Se os mistifórios clérico-políticos não tivessem alterado as lições do Cristo, todos já teriam conhecimento delas, e do que o Cristo é, e representa, ou a síntese das verdades fundamentais.”
Um Cristo será sempre rigoroso e causticante em suas palavras, mas os Seus exemplos serão sempre amorosos e cheios de renúncia. Aqueles, porém, que se tornam adeptos do anticristo, em suas palavras querem parecer bons, tolerantes e vítimas de certo modo, mas as suas obras revelam covardia, falsidade e traição, sendo comum apelarem para atos violentos ou repugnantes.
Todos os movimentos renovadores, principalmente os de ordem Moral, sempre viram surgir, em seus meios e no meio de seus elementos, essa coisa feia, essa mancha. Uns por excesso de zelo, outros por excesso de vaidade, mas o fato é que nenhum movimento, até o presente, deixou de ter contas a ajustar com esse doloroso fato.
Alguns apelam para os anos passados em estudos ditos doutrinários, sejam estes ou aqueles os sectarismos; outros querem valorizar os seus cabelos brancos; ainda outros pretendem dar boa representação ao reumatismo que ostentam, achando que ele é testemunho de sabedoria; e não faltam os portadores de outras marcas de perebas, que com elas fazem questão de marcar ponto no relógio dos estatutos e das instituições.
Caifás, Anás, o Sinédrio, os fariseus, os saduceus e os escribas, todos falaram de cadeira, todos tinham uma tradição, não permitindo que Jesus Cristo pudesse falar em nome da Moral, do Amor, da Revelação, da Sabedoria e da Virtude. É que Jesus era jovem, não tinha rugas, reumatismos, calvície, perebas e outros argumentos da mesma marca. Em conseqüência, o ranço e a ferrugem puderam mais do que a Verdade e a Virtude!
Considerando que isto poderá acontecer e muito, ainda, no Planeta, bom será que se evitem ortodoxias, dogmatismos, fanatismos sectários, etc.
O essencial, para não cairmos em tais faltas, seria não termos jamais ignorâncias a encobrir nem interesses subalternos a defender; mas, quando iremos planar nessas alturas?
Observemos, portanto, que o maior risco é ou será, sempre, daqueles que se acreditam proprietários da Moral e do Amor, da Verdade e da Virtude. Tudo isso em termos teóricos, porque os praticantes, os vivedores dessas virtudes, jamais cairiam em semelhantes emboscadas, em tais leviandades.
Foi um caso, fica bem saliente, enfrentado por nós, que motivou este capítulo. Sempre, portanto, aprendendo com as grandes lições da vida prática! Sempre focalizando a Lei de Equilíbrio, através dos vincos profundos deixados naqueles que contra ela atuaram, por culpa de seus fanatismos sectários, ou de seus orgulhos feridos, ou dos clamores de seus mais imediatos interesses mundanos.
Estávamos em nosso reino, reunidos em torno de uma irmã; brilhava o sol da Verdade Central, de Deus, que nos ilumina e aquece, sustenta e estimula; e ela, recém-chegada dos abismos, em processo de tratamento, fora colocada ao lado de belo jardim, florido e perfumado. Nosso instrutor falava e ela ouvia, coisas sobre Jesus Cristo, que ele sempre filtrou como Verdade e Virtude. Porque ela vinha de uma vida desregrada, isto é, sem Verdade e sem Virtude.
Estando entre flores e águas, servidores do Bem e conversas edificantes, não há quem não sinta surgir de dentro aquela cura que não pode vir de fora; e como uns aprendem com outros, ali éramos ouvidos abertos, armazenando conhecimentos, quando vimos chegarem, acompanhados do diretor dos hospitais da região, dois vultos maravilhosos, simplesmente estuantes de espiritualidade, que vinham ao nosso encontro.
Eram irmãos de alta hierarquia, habitantes de reinos superiores, diminuídos em si mesmos, cumprindo alguma delegação, isso bem se descobria; e foi como nos falou o diretor dos hospitais da região, apresentando-os:
— Tancredo, venho apresentar estes funcionários da Mensageiria Superior, em virtude de trabalho a ser feito. Alguém deve desencarnar, dentro de dias, e é quando eles deverão estar presentes. O mais tudo, eles mesmos farão, porque são os encarregados da missão que lhes cumpre levar a termo.
Disse os nomes, mas isso não importa porque não saberia como traduzi-los e porque a essência da coisa é que nos faz estar escrevendo. Se não fossem eles, é certo que seriam outros, porque a Lei e a Justiça pairam acima de indivíduos. O que é por Deus, alguém terá que fazer, sem dúvida alguma!
E tudo ficou combinado, quando o mais categorizado deles, explicou:
— Um irmão, de nome Plácido, deverá ser retirado da carne dentro de uma semana. Desejamos que nos avisem, quando chegar a hora; e a hora será, lembrem-se, quando o irmão doutor Bezerra de Menezes for atender como clínico ao chamado de uma nossa irmã, que é a progenitora de Plácido.
Disse como proceder, enviando a ele a mensagem mental, retirando-se após. E nós ficamos meditando e comentando, quem seria o irmão Plácido, para ser assim recebido. Para nós, conforme os usos, devia ser alguém de bastantes merecimentos, pois os dois elevados irmãos agiam também segundo ordens superiores. Portanto, para todos os efeitos, seria muito interessante o trabalho a ser feito; porque o aprendizado vem sempre através dos fatos comuns da vida.
E uma semana depois, entrando por um cortiço adentro o doutor Bezerra, fomos topar com o nosso irmão Plácido; atirado no fundo de um quarto escuro, mais miserável do que pobre, estava um homem de meia idade, todo retorcido, aleijado, tendo ainda a mão esquerda ressecada, mais parecendo um galho seco de árvore.
A pobre mãe, ou riquíssima, talvez, assim implorou:
— Doutor, trate de meu filho!... É assim, porém eu só tenho esse... Sei o que tem feito e peço a sua ajuda....
Bezerra deu tudo, receita e dinheiro, dando também uma fervorosa oração; e o mundo deste lado, que o acompanhava sempre, deu o que devia e podia dar.
Tancredo fez como recomendou o tal Mensageiro Superior, e ele, dentro de segundos, estava presente, dizendo:
— Hoje à noite, terá que deixar o corpo... E vamos, por ora, formar um círculo, dando-nos as mãos. Vamos rogar a Jesus, o Divino Medianeiro, por este irmão altamente comprometido perante a Justiça Divina.
Assim foi feito. Fazer um círculo e dar as mãos, entrando em oração, produz maravilhas. E quando já em oração, disse o Mensageiro Superior:
— Olhem bem para ele e observem o que vai ocorrer.
Nós já tínhamos visto um monstro agarrado ao pobre irmão, tão agarrado que pareciam dois em um; tínhamos visto quatro bondosos pretos velhos, sorridentes e felizes, que lhe montavam guarda, cumprindo ordens superiores. E dali em diante, observando bem, fomos notando que um vapor subia do chão, envolvendo o homem e todos nós. Pouco depois, o vapor deixou de ser denso, tornando-se luminoso, cada vez mais luminoso.
Quando a luminosidade atingiu certo ponto, apareceu uma paisagem, que bem vimos ser a velha Jerusalém. Tudo como naqueles dias, quando Jesus palmilhou aqueles caminhos, para viver a Lei, Batizar em Revelação e testemunhar a Ressurreição Final do Espírito.
Tudo era simples, claro, normal, exato. Jesus estava vestido como os Nazireus, com a Sua túnica branco-opalina e coberto com o manto carmesim. Era jovem, esbelto, imensamente espiritual, ligeiro, pensativo e algo triste. Por todas as partes muita gente a cercá-Lo, pedindo curas, sorte, o Céu, etc.
E do meio do povo saía, repetidas vezes, um sacerdote magricela, barbudinho, encaveirado, de olhos faiscantes, que atirava contra Jesus ofensas, ora como perguntas, ora como afirmativas severas, lembrando os preceitos, etc. E Jesus calava e trabalhava, ou respondia algumas vezes, sempre rodeado pelos Seus discípulos, sempre muito amparado por algumas mulheres contritas, fervorosas e piedosas.
Vimos depois, dentro de vasto e muito ornamentado salão, Jesus sentado sobre um tamborete, estando alguns sacerdotes e outras pessoas, do outro lado, à Sua frente, fazendo perguntas as mais contraditórias. Dentre eles se destacava o sumo sacerdote com um pergaminho na mão direita, que lia e argumentava contra Jesus. Porém, o sacerdote magricela e encaveirado pedia licença e dizia tremendas coisas contra Jesus, chamando-O feiticeiro e discípulo de Belzebu.
E o cenário mudou, num repente, aparecendo o Monte das Caveiras com as três cruzes levantadas.
Também isso logo mais desapareceu, voltando tudo ao quarto miserável, com o sacerdote magricela, agora na personalidade daquele pobre aleijado. E o Mensageiro Superior explicou, em breves palavras:
— Estamos na presença de um dos grandes algozes de Jesus... Porém, não vem diretamente de lá esta situação. Porque outros já se recuperaram, estando em boas condições, servindo a Causa da Verdade e da Virtude, absolutamente à margem dos religiosismos perniciosos. Este pobre irmão, entretanto, tem errado muito, tem recaído em faltas, tendo agora sido obrigado a renascer assim, para ser obrigado a resgatar um pouco de suas imensas culpas.
E voltando-se a Tancredo, recomendou-lhe:
— Assim que for desligado, ao entrar no hospital, desejo ser avisado; é só fazer como fez agora, e depressa virei, para tomar as providências necessárias. Como sei que gostam de aprender, digo que o movimento restaurador grassa no mundo, havendo grandes oportunidades para muitos errados de outros tempos. E este nosso irmão vem de receber de Jesus uma oportunidade de trabalho; porque, como deveis saber, perdão não existe, mas existe o trabalho que ressarce e constrói o Reino de Deus dentro de nós mesmos. Ele voltará à carne em breve, com boas faculdades, com boas ferramentas e, no trabalho mediúnico, servindo aos outros com o devido carinho, estará conseguindo servir a si mesmo.
Pouco depois da saída de Bezerra de Menezes, também nós saímos, ficando tudo bem combinado para a retirada do pobre irmão, logo à noitinha. E como tudo gira em torno de leis e sobre leis, tudo foi encaminhado devidamente. Quanto ao fundo moral da questão, que cuidem bem de si mesmos, antes de mais nada, aqueles que se escravizam a estatutos e a instituições humanas. A Moral e o Amor, a Verdade e a Virtude, não são realidades que possam caber em conchavismos de homens. Títulos dados por homens, reumatismos e perebas não significam espiritualidade!
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